A difícil construção do Estado no Oriente Médio
BARR, James. A Line in the Sand: Britain, France and the struggle that shaped
the Middle East. 6ª ed. London: Simon and Schuster, 2012. 454p.

Editores,
jornalistas free-lancer, até
historiadores amam inundar o mercado de matéria escrita sobre o Oriente Médio. A
presença de Iraque, Israel e Egito nos noticiários garante um público
interessado. Personagens como Winston Churchill e Thomas Edward Lawrence (o Lawrence da Arábia), e Charles de
Gaulle, para não falar de Gamal Abdel Nasser e Lloyd George, trazem um toque de
exotismo às narrativas. Para James Barr, os autores se concentram nas duas
conflagrações mundiais, esquecendo que o que se passou entre elas importa. É o
que se propõe a fazer neste livro.
Durante a
Primeira Guerra Mundial a Grã-Bretanha governava um quarto do mundo. Atrás
dela, mas não muito, a República francesa. Essas duas superpotências aliadas e
inimigas lutavam contra outra potência, a Alemanha, coligada esta ao velho
Império Otomano. As duas primeiras apoiavam os árabes, um povo que tivera seu
tempo de glória um milênio antes, e agora os turcos os dominavam.
Isso para
fins de propaganda. Secretamente França e Grã-Bretanha engendraram um acordo
sobre a Arábia sem ter a delicadeza de ouvir quem morava lá. Passou à história
pelo nome dos funcionários que o assinaram, Sykes-Picot. Dividiram o deserto ao
meio por uma linha quase reta (a tal linha da qual fala o título), que pode ser
vista até hoje como fronteira entre Síria, Iraque e Jordânia.
Esse acordo e
a subsequente política de dois países, um querendo tomar mais território e
influência que o outro durante três décadas moldaram aquela parte do globo.
Dele saíram cinco Estados-nação: Israel, Síria, Iraque, Jordânia, e Líbano, com
populações heterogêneas, pouca tradição de autogoverno, e com os complicadores
do choque religioso e da presença dos interesses do petróleo. As potências realizaram
uma política de apoiar (e às vezes armar) as minorias da região uma contra a
outra, o que gerou dramas renitentes, como o choque entre o Estado judeu e os
palestinos.
Como quase
todos os livros de jornalismo histórico modernos a obra de Barr privilegia
detalhes romanescos, como a personalidade fulgurante de certos protagonistas,
em vez de fatores subjacentes, especialmente econômicos. Estes só são mencionados
ocasionalmente, como quando revela que a economia da Síria era quase totalmente
dominada pelos franceses, ou narra a construção de um oleoduto conduzindo o
petróleo iraquiano para o Mediterrâneo, exatamente quando a Grã-Bretanha
transformara sua esquadra de carvão para óleo.
A obra constitui leitura interessante para os aficionados no
assunto e pode contribuir para esclarecer uma parte dos problemas e soluções de
uma região importante do mundo.